Outro post em parceria com Elizabeth Kantor e Editora Realejo
By Elizabeth Kantor
De forma paradoxal, Jane Austen achava mais fácil manejar
exatamente o tipo de relacionamento que parece mais difícil para nós. Ela
considera alcançar a “independência” quando uma mulher sai da casa dos pais –
ou de seu trabalho como governanta-acompanhante, como a Sra. Weston faz no
início de Emma – para se casar. Para Jane Austen, um homem e uma mulher
apaixonados um pelo outro são as duas pessoas no mundo que mais chegam perto de
se sentirem confortáveis ao preencher exatamente o mesmo espaço ao mesmo tempo.
Homens e mulheres são tão diferentes um do outro que eles se complementam
naturalmente, assim como competem um com o outro. E claro que a divisão de
trabalho entre os sexos era mais rígida naquela época. Essas diferenças – a
complementaridade e a possibilidade de uma espécie de harmonia natural entre
homens e mulheres – tornam lógica a ideia de que, ainda que seja “dependência”
dividir uma casa e uma renda com seus pais ou seus empregadores, é “independência”
dividi-las com um marido. Além disso, nesse caso, existe a excitação do começo
do amor (e no sexo) para ajudar a suavizar as dificuldades.
Então, por que os “relacionamentos” parecem muito mais
difíceis hoje do que os relacionamentos em geral – amizades e por aí vai? Não
acredito que seja apenas porque em vez de confiar na tradicional divisão de
tarefas pelo sexo, temos de negociar quem lava as louças e quem faz as contas.
É que, hoje em dia, um relacionamento romântico é praticamente o único relacionamento
realmente íntimo que muitos de nós tentamos depois de adultos – “íntimo” no
sentido prático que estamos dividindo espaço, dinheiro e decisões sobre
qualquer coisa mais importante do que o almoço.
Procuramos nossos amigos para ter conforto em relação às
partes da nossa vida nas quais temos que “trabalhar” – nossos trabalhos e
nossos relacionamentos com homens. Os amigos estão lá quando saímos do
tumulto da vida e paramos no acostamento, quando fazemos a análise no fim do
jogo. Dividimos nossos pensamentos e sentimentos com eles, ou, talvez, com
nossa mãe ou irmã. No entanto, depois que saímos da faculdade e daqueles
pequenos apartamentos que dividíamos na época do primeiro emprego, com
frequência, deixamos de dividir nossa vida com outras pessoas além de um homem.
O que significa que estamos tentando administrar nosso relacionamento sem o
tipo de prática em relacionamentos em geral que as heroínas de Jane Austen têm.











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